Um dos problemas mais críticos de um projeto é quando o cronograma foge do controle do time e as estimativas revelam-se erradas e sem maturidade. Isto demonstra que os processos utilizados para chegar a elas podem ter falhas. Frente a problemas como este, é importante ir fundo nas suas causas e planejar que tipo de melhorias podem ser feitas para tornar as próximas iterações bem sucedidas.
Nas primeiras iterações, é inevitável. De certa forma, é esperado que as estimativas não sejam realista por motivos como: desconhecimento do escopo, novas tecnologias e falta de entrosamento da equipe. Esses fatores reunidos, ocasionam a falta de estimativas confiáveis e o desconhecimento da velocidade real do time.
Com o passar do tempo, a fluência da equipe aumenta e é possível confiar mais no que está sendo estimado e se comprometer com uma quantidade de trabalho, tendo a confiança de poder entregá-la com qualidade e dentro do prazo combinado.
Entretanto, é comum ver projetos já avançados com problemas no cronograma. Atrasados ou adiantados, ambos os casos são ruins. Demonstram que o processo de desenvolvimento tem problemas e que o time pode nao estar conseguindo mensurar corretamente o risco existente em cada estória.
Por isso, é importante recolher métricas, constantemente, para uma melhoria continua dos processos ligados a às estimativas. Depois de cada Daily Meeting, podemos avaliar de uma maneira simples e direta, seja marcando no próprio cartão ou em uma planilha, os resultado das estimativas. Caso elas tenham se cumprido, devem ser consideradas adequadas, caso contrário, baixas ou altas. Também é interessante ter algumas observações referentes aos motivos dos problemas, se for o caso.
Idealmente, a produtividade que foi acordada no inicio deve variar pouco, mostrando que o time é capaz de manter processos sustentáveis de desenvolvimento. Apesar de ser bom manter uma reserva gerencial, ou gordura, para se resguardar de quaisquer problemas que possam acontecer em durante a iteração, se este for um hábito constante, pode acabar ocasionando gráficos parciais e dados irreais, além de um processo opaco tanto para o time quanto para o cliente.
Analisando o gráfico, após uma iteração problemática, é possível notar os pontos que fizeram com que a iteração não fosse bem sucedida. As métricas das atividades fechadas nos dias em que a produtividade oscilou de forma acentuada devem ser analisadas com cuidado. É provavel que essas estimativas estejam marcadas como baixas ou altas, e com o objetivo de melhorar no futuro, podemos nos aprodundar nos motivos que causaram estes desvios.
Se as estimativas foram altas, medidas como planejar escopo extra ou antecipar estórias de alto risco podem ser interessantes para agregar mais valor à iteração e garantir uma entrega completa e com qualidade. É interessante justificar para o cliente que as superestimativas decorrerem de novas abordagens tecnológias ou de negócio do projeto, ou seja, frente a um risco que teve que ser considerado, com isso o time vai ganhar mais maturidade e com a lição aprendida vai saber lidar com situações parecidas em futuras iterações. Entretanto, caso não existirem motivos suficientemente justificados para elas, uma conscientização do time, acerca do problema e de como poderá afeta a imagem do time perante o cliente, deve ser feita.
Por outro lado se ocorrerem estimativas baixas, isso pode refletir um desconhecimento das técnologias envolvidas ou do negócio, comum no inicio do projeto, e isso vai trazer também maturidade para o time da mesma forma que aconteceu com as superestimativas. Caso as estórias sejam livres de débitos relacionados à novas técnologias ou escopo ainda não trabalhado, uma análise dos impedimentos que podem ter ocorrido durante o desenvolvimento é fundamental para identificar que ações corretivas que foram tomadas no momento em que os problemas aconteceram, e se ajudaram a evitar a queda de produtividade do time. No primeiro sinal de queda da produtividade por problemas de impedimentos é importante parar a atividade até que os impedimentos sejam resolvidos para evitar a desmotivação do e desperdicio do esforço do time, que poderia estar sendo convergido em estórias sem impedimentos.
Caso a desmotivação já tenha dominado o time, tomar medidas corretivas como pair programming ou move people around, podem ajudar a subir a moral do time e estabilizar o processo produtivo.
Com a obtenção e avaliação desse tipo de métrica, podemos entender melhor cada movimento que o gráfico realizou e como isso afetou a iteração e assim o time poderá se desenvolver de uma forma mais transparente, madura e produtiva, com um alto grau de confiabilidade tanto nas estimativas, quanto na garantia da entrega do que foi assumido com o cliente, aumentando a confiança de ambos os lados e gerando novas oportunidades de negócio para a empresa.
Rodrigo Branas Comunicação, Riscos