O Agile Brazil 2010 foi sem dúvida o maior evento sobre métodos ágeis já realizado no Brazil.

Mesa de honra na abertura
Fazer parte da equipe de organização deste evento foi para mim uma grande experiência, especialmente por poder comparar esta com minha experiência na organização do Ágiles 2009, evento do qual fui presidente. A equipe de organização foi composta por 14 pessoas e o que mais me impressionou foi que a primeira reunião presencial desta equipe ocorreu no hall do hotel 1 dia antes do evento. Isto demonstra o poder que indivíduos auto-organizados que trabalham em busca de um mesmo objetivo têm, mesmo estando todos trabalhando remotamente. Eu particularmente, só conhecia metade desta equipe. Foi um sentimento muito interessante encontrar as pessoas que eu não conhecia e dar rostos aos nomes. A propósito, trabalhar com estas pessoas foi muito prazeroso e me proporcionou um aprendizado muito grande. Estão todos de parabéns por terem feito um evento desta qualidade.

Comitê de organização
Como organizadores tivemos que trabalhar bastante durante o evento, então não foi possível participar das palestras que gostaríamos. Então, meu feedback sobre o evento parte desta ótica, a de um organizador e não de um atendente.
A missão do Agile Brazil começou para mim no Sábado dia 19/6. Além de agilista e capoeirista eu gosto também de viajar de moto, então aproveitei o evento como desculpa para fazer uma trip de moto para Porto Alegre. Saí de Floripa no Sábado com destino a Orleãns/SC onde passei a noite. No outro dia segui viagem. Consegui escapar da chuva, mas não do frio. Mesmo com equipamento adequado cheguei em Porto Alegre com temperatura abaixo dos 10 graus, ou seja, com muito frio. Mas foi sensacional e uma experiência interessante.

Parada para descançar perto de Torres/RS
Na terça feira tive o grande prazer de ser “O Anfitrião” (visto que sou gaúcho) e levar o David Hussman vulgo “The Dude” para conhecer o mercado público de Porto Alegre. Conversamos muito sobre agilidade, música e idiomas. O Dude já arrísca umas frases em Português. Depois fomos jantar no galpão criolo e comer a autêntica costela de 12 horas (de fogo). Sensacional! A melhor coisa que eu extraí deste momento foi ouvir do Dude que ele gostaria de ver nos EUA um clima e uma comunidade unida como a nossa. Ele disse que na opinião dele, nós como um grupo, deveríamos ganhar o Gordon Pask Award este ano. Foi muito bom saber que estamos construindo estória e melhor ainda saber que eu faço parte dela. Muito gratificante.

Jantar com The Dude
Neste mesmo dia iniciaram os cursos de XP, CSPO e CSM - todos lotados. Só tive feedback concreto do XP, visto que alguns dos ministrantes eram também organizadores. Me parece que foi muito bom e mesmo em 6 (ou mais) instrutores conseguiram se organizar bem, sem nenhuma preparação antecipada. No dia seguinte, houve o curso de Coaching com o Dude. Este eu pude participar e gostei bastante, especialmente pela forma como o Dude apresenta-se a si mesmo e pela forma descontraída e jovial que ele nos conduz a reflexão e ao aprendizado. Penso que este curso foi um tanto quanto curto, e seria melhor se fosse feito em dois dias ao invés de apenas um.

Coaching Agility com The Dude
Após o curso fomos jantar no Parrilla Del Sur Na Brasa e participei da mesa mais comprida da minha vida até hoje (se não me engano 48 pessoas). Foi muito bom ver todo mundo reunido e descontraindo em torno de um mesmo objetivo - comer e beber, além de falar de agilidade é claro
Bom, o dia seguinte era o dia D. O dia de abertura do evento. Consigo imaginar como o Rafael se sentiu pois creio que senti o mesmo na abertura do Ágiles 2009. Uma mistura de emoção, nervosismo, frio na barriga e outras coisas que não te deixam dormir direito. Eu particularmente também estava preocupado pois ainda não tinha terminado de preparar minha palestra, como muitos outros palestrantes que estavam na organização. O Giovanni Bassi era um deles e como estávamos dividindo o quarto de hotel, combinamos de acordar às 5:30 da manhã para trabalhar. Assim fizemos, mas nem assim consegui terminar minha palestra. Resolvi não almoçar para terminá-la no horário do almoço. E felizmente consegui, às 14hs ela estava pronta.
A minha sessão foi um tutorial onde apresentei o conceito da Pirâmide Lean, que criamos na OnCast para demonstrar como funciona o equilíbrio entre os princípios e prática ágeis distribuídos na hierarquia organizacional de uma empresa. O feedback que recebi foi bem bom. Quem assistiu disse que o conceito é bastante esclarecedor e mostra bem como criar uma cultura que proporcione um fluxo de valor constante. Tive o privilégio de dividir a palavra com Rodrigo Branas, engenheiro de software senior da OnCast onde lidera uma de nossas equipes. O Rodrigo falou sobre Kanban, na verdade apenas uma introdução ao conceito que ele explicaria em detalhes na sua palestra no dia seguinte. Minha sessão serviu também para eu saber se o conceito que criamos está no caminho certo e também para eu melhorar algumas partes que identifiquei como necessárias. Esta mesma sessão será apresentada no Agile 2010 em Orlando este ano.
Quanto a abertura do evento, casa lotada e eu correndo de um lado para o outro. Infelizmente perdi as palavras do Rafael que eu tanto queria ver. Mas foi muito interessante ver todo aquele povo reunido esperando ansiosamente para ouvir o guru Martin Fowler. Gostei da parte em que ele falou de Branching e Configuration Management. Acho um tema fundamental e ainda tenho visto muitas equipes falharem na criação de boas estratégias para Continuous Delivery.

Keynote Martin Fowler
Vale apena resaltar aqui que o pessoal local da equipe da PUCRS fez um excelente trabalho. Na realidade, nos livrou de um árduo trabalho operacional que precisa ser realizado durante a conferência. No Ágiles 2009 não tivemos este privilégio, mas contamos com uma ótima equipe de voluntários que nos ajudou com isso.
Na noite de quinta estávamos todos muito exaustos. Havia uma reunião que eu deveria participar com o David, o Daniel Wildt o Parzianello e outras pessoas que não consegui ir. Precisava fazer algo para renovar as forças. Então decidi dar um treino de capoeira. Em frente ao hotel havia um seminário com uma pista de atletismo e um campo de futebol. Quem via de fora deveria pensar “quem é aquele louco lá de cabeça pra baixo!”. Depois de ativar a endorfina e um bom banho eu estava novo e pude ir para o John Bull Pub onde foi a confraternização do evento. A banda que estava tocando era realmente muito boa. Mas antes dela começar a tocar, tive uma conversa muito interessante com o Klaus, que me contou sua teoria sobre computação soberana e como ele vê uma mudança no mundo digital em favor das redes P2P. Trocamos experiências sobre desenvolvimento de sistemas de alta performance, servidores de tuplas e eu pude aprender bastante com ele.

Pessoal descontraindo no John Bull Pub
No dia seguinte, novamente dormindo pouco, acabei perdendo o Keynote do Kruchten. Pude particpar do Café Kaizen ministrado pelo Rafael e pelo Parzianello. Excelente diga-se de passagem. Eu já conhecia o conceito que o Luiz tinha me apresentado mas nunca tinha visto funcionando. Muito bom mesmo.
A palestra do Rodrigo Branas foi outra grande surpresa. Ele apresentou de uma forma descontraída conceitos muito interessantes que fisgaram a mente de quem esteve presente. De fato, tanto os conceitos da Pirâmide Lean quanto os que o Branas apresentou sobre Kanban são coisas que testamos na OnCast, por isso aprendemos, por isso compartilhamos.

Palestra do Branas sobre Kanban
Agora, o Gran Finalle foi magnífico. Na minha opinião, o Keynote do Klaus foi sem dúvida a melhor parte do evento. Ele reduziu todos os valores do XP para apenas 2: coolness and learning. Ou, aprendizado e ducaralhisse (foi o termo encontrado para traduzir coolnes :D) Ele apresentou a visão dele sobre ser ágil e eu concordo com ela. Houve um ponto paradoxal, onde ele, de certa forma, contrariou o que o Martin disse a respeito de branching. Na verdade ele disse para se possível não usar branching e o Martin disse, se usar, use direito.

Keynote de encerramento com o Klaus
Após o encerramento, distribuição de brindes, etecetera, pousamos para fotos e ainda tivemos energia para fazer uma retrospectiva sobre o evento. De forma geral o evento foi muito bom, alto nível. Encontramos espaço para melhoria é claro, mas nada que desabone a qualidade do evento. Em minha humilde opinião, o programa do evento é a parte em que precisaremos concentrar mais atenção para o ano que vem.

Retrospectiva dos organizadores
A minha missão de volta acabou só no Domingo, quando retornei de POA com um tempo inspirador. Voltei pela rota do sol para pegar um caminho de montanhas e às 20hs cheguei, são, salvo, cansado e com muito aprendizado.

Paradinha para descançar no caminho de volta.
É isso pessoal, até o próximo Agile Brazil.
Samuel Crescêncio Outros